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Arquivo da categoria: SEXUALIDADE

Aids é a principal causa mundial de morte de mulheres em idade fértil

Em um relatório inédito sobre a saúde de mulheres e meninas no mundo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que doenças relacionadas à aids são a principal causa de morte e agravos entre mulheres em idade fértil em países de baixa e média renda, especialmente na África. Também globalmente, as relações sexuais desprotegidas são o principal fator de risco relacionado à a morte de mulheres em idade fértil. Esses dados sustentam o argumento do relatório Women and Health: Today’s Evidence, Tomorrow’s Agenda (Mulheres e Saúde: a evidência de hoje, a agenda de amanhã) de que a saúde feminina vem sendo negligenciada em uma multiplicidade de áreas, devendo agora ser considerada uma prioridade urgente.

O relatório afirma que as mulheres e meninas são especialmente vulneráveis à infecção pelo HIV devido a uma variedade de fatores biológicos e sociais. Estes incluem o baixo status socioeconômico, o que pode limitar as escolhas e levar a comportamentos de alto risco, bem como normas e leis que subjugam as mulheres e as impedem de buscar e obter as informações de que precisam para garantir sua segurança. Por exemplo, no mundo todo apenas 38% das mulheres jovens sabem descrever os principais meios de evitar a infecção pelo HIV; além disso, há menor probabilidade entre mulheres jovens do que entre homens jovens de saber que o preservativo pode proteger contra o vírus. Os dados de 16 países da África Subsaariana, para o período de 2001 a 2007, também mostram que a prevalência do HIV, geralmente, é maior entre meninas adolescentes na faixa de 15 a 19 anos do que entre meninos na mesma faixa etária. Uma causa significativa desse fenômeno é o fato de meninas terem como parceiros homens mais velhos e mais experimentados sexualmente, com maior probabilidade de estar infectados.

Violência contra mulheres

A violência também é uma das principais causas da maior vulnerabilidade feminina em relação ao HIV, podendo dificultar ou impossibilitar que as mulheres tenham controle sobre a própria vida sexual, abstenham-se das relações sexuais ou convençam seus parceiros a usar preservativos. A violência, ou a ameaça de violência, também pode fazer com que as mulheres evitem procurar serviços de prevenção, tratamento, atenção e apoio em HIV.

Para o UNAIDS, esta é uma das principais áreas de preocupação. Nesse sentido, o fim da violência contra mulheres e meninas foi incluído como uma das nove áreas prioritárias de sua Matriz de Resultados 2009-11. Segundo Michel Sidibé, Diretor Executivo do UNAIDS, “‘sabemos que há uma forte ligação entre violência contra as mulheres e o HIV. Precisamos ajudar os jovens a desenvolver as habilidades necessárias para obter o consentimento mútuo nas relações sexuais e no casamento. Isso é essencial para prevenir o HIV e para alcançar maior igualdade de gênero em todos os aspectos da vida”.

Desigualdades de gênero

O relatório Mulheres e Saúde tem um escopo extremamente amplo e aborda diversas questões relativas à saúde da mulher. Nele se demonstra que os fatores que aumentam a vulnerabilidade das mulheres à aids também afetam profundamente a saúde em geral e o bem-estar das mulheres e meninas. Conforme se argumenta no relatório, as desigualdades na distribuição de recursos como educação, renda, atenção à saúde e nutrição, bem como na expressão política, têm uma associação muito forte com condições precárias de saúde e bem-estar.

“Apesar dos avanços consideráveis nas duas últimas décadas, as sociedades ainda negligenciam as mulheres em momentos críticos de suas vidas”, diz a Dra. Margaret Chan, Diretora Geral da OMS, no prefácio do relatório Mulheres e Saúde. “Essa negligência é mais aguda em países pobres, e entre as mulheres mais pobres de todos os países. Nem todas as mulheres foram beneficiadas de maneira igual pelos avanços recentes, e um grande número de meninas e mulheres ainda não consegue alcançar seu real potencial devido a persistentes desigualdades de saúde, sociais e de gênero, bem como a deficiências nos sistemas de saúde”.

Principais fases da vida relevantes para a saúde: o início da infância, a adolescência, a idade adulta e a terceira idade.

O relatório examina a vida de mulheres e meninas nas principais fases relevantes para a saúde: o início da infância, a adolescência, a idade adulta e a terceira idade, e mostra que as mulheres enfrentam “iniquidades difundidas e persistentes” em cada uma dessas fases. O relatório não somente destaca as necessidades de saúde das mulheres – e como estas não estão sendo atendidas atualmente em termos do HIV e de outras áreas – mas também a valiosa contribuição que elas oferecem ao setor de saúde e à sociedade em geral.

Com base nas evidências de hoje, e compartilhando o que se sabe atualmente sobre a saúde das mulheres de todas as regiões e em todas as etapas de suas vidas, o relatório procura estabelecer uma agenda para o amanhã. Um dos elementos principais dessa agenda é a promoção de reformas para permitir que as mulheres não sejam vistas apenas em termos de sua capacidade sexual e reprodutiva, e sim que se tornem agentes ativas na área da saúde, desempenhando um papel central no desenho, na gestão e na prestação de serviços de saúde.

O relatório Mulheres e Saúde chama a atenção para quatro áreas em que ações sustentadas por políticas poderiam fazer uma diferença real para a saúde das mulheres: construir uma liderança forte e uma resposta institucional coerente, com base em uma agenda clara; garantir que os sistemas de saúde funcionem para as mulheres; promover mudanças em políticas públicas de modo a incentivar mudanças sociais fundamentais (por exemplo, por meio de ações direcionadas para ajudar as meninas a se matricularem nas escolas); e, por último, construir uma base de conhecimentos e monitorar o progresso obtido.

A OMS espera que a revisão dos dados disponíveis e a definição de um irrefutável caminho a seguir permitam a melhoria tanto da saúde das mulheres e meninas quanto da sociedade como um todo. Nas palavras do relatório, “melhorar a saúde das mulheres é melhorar o mundo.”

Fonte: http://www.todoscontraopreconceito.com.br

 

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Viver com aids é possível, com o preconceito não.

O Dia Mundial de Luta Contra a Aids foi criado para relembrar o combate à doença e despertar nas pessoas a consciência da necessidade da prevenção, aumentar a compreensão sobre a síndrome e reforçar a tolerância e a compaixão às pessoas infectadas. 

Foi a Assembléia Mundial de Saúde, com o apoio da Organização das Nações Unidas (ONU), que instituiu a data de 1º de dezembro. A decisão foi tomada em outubro de 1987. No Brasil, a data passou a ser comemorada a partir de 1988, por decisão do Ministro da Saúde.

A cada ano, diferentes temas são abordados, destacando importantes questões relacionadas à doença. Em 1990, por exemplo, quando a Aids ainda era mais disseminada entre os homens, o tema foi “A Aids e a Mulher”. Em 1997, foi a vez de as crianças infectadas serem lembradas. A importância da família e da união de forças também já foram destacadas como importantes aliados da luta contra a Aids.

 
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Publicado por em dezembro 1, 2009 em DIREITOS HUMANOS, SAÚDE, SEXUALIDADE

 

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Publicado por em novembro 29, 2009 em DIREITOS HUMANOS, SAÚDE, SEXUALIDADE

 

Eventos Dia Mundial de Luta contra a AIDS

AGENDA

Campanha de testagem anti-HIV

Data: 16 de novembro a 1º de dezembro
Local: Bauru, Dois Córregos, Sorocaba e mais de 450 municípios participam da campanha.

Para informar-se sobre os locais de testagem no Estado de São Paulo, acesse o site: www.crt.saude.sp.gov.br ou ligue para 0800 16 25 50.

Em uma semana foram realizados 50 mil testes no Estado de São Paulo e a meta é realizar 170 mil testes até o dia 1º.

 

Testagem anti-HIV

Data: 16 de novembro a 1º de dezembro

Local: CTAs itinerantes

Cidade: Rio Claro/SP

Rio Claro contará com 15 postos de coleta nas Unidades de Saúde das 8h às 9h. O CTA Itinerante fará teste das 10h às 12h e das 13h às 15h. No dia 28, o CTA Itinerante realizará testes durante a IX Conferência Municipal de Saúde ( Sede da Faculdade Anhanguera). No domingo, 29, o CTA Itinerante estará no Jardim Público.

 

Exibição única de curta-metragem “O Beijo”

Data: 29 de novembro

Hora: no intervalo do Fantástico

Observações: Filme de um minuto mostra bastidores da ação desenvolvida pelo Ministério da Saúde, CRT de São Paulo e Secretaria de Saúde de Guarulhos com 1.200 pessoas que vivem e convivem com HIV de São Paulo e com o artista plástico Vik Muniz. A partir do dia 30, o vídeo estará disponível no you tube e no site: www.todoscontraopreconceito.com.br

 

Exibição do filme “Casal”

Data: 1º de dezembro
Hora: no intervalo do Jornal Nacional

Observações: O vídeo tem duração de 30 segundos e é protagonizado por um jovem soropositivo.

 

Palestra de conscientização e prevenção das DST/aids

Data: 1º de dezembro
Hora: 19h
Local: Sede do GAPA – Grupo de Apoio ao Paciente com Câncer (Rua Anísio Ortiz Monteiro, 112)
Cidade: Taubaté/SP

 

Campanha de Incentivo a testagem sorológica gratuita

Data: 1º de dezembro
Hora: das 09h00 às 17h00

Local: Caixa Econômica Federal – Praça da Sé, 111

Cidade: São Paulo/SP

Realizado pelo Programa Estadual e Municipal de Prevenção e Assistência à AIDS.

Ou procure uma unidade de saúde:

Disque DST-AIDS: 0800 16 25 50.

 

Enquete Teatral – Manifestação pelo Dia Mundial de Combate à AIDS

Data: 1º de dezembro
Hora: das 08h30 às 12h00

Local: Terminal Rodoviário e Represa Municipal – São José do Rio Preto – SP
Promoção/organização: Secretaria Municipal dos Direitos e Políticas para Mulheres, Pessoa com Deficiência, Raça e Etnia.

 

Palestra: Mulher e Aids – Dr. Geraldo Duarte

Data: 1º de dezembro
Hora: 09h00

Local: UGT – Memorial da classe Operária – Rua José Bonifácio nº 59 – Centro
Promoção/organização: Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, Coordenadoria Municipal da Mulher, SEAVIDAS – HCFMRP-USP, CEDHEP, CONEN, Casa da Mulher, Vitória Régia.
Apoio: Secretaria Municipal da Assistência Social; Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto; CRP; CRESS.

 

Palestra: Mulher e Aids – Prof. Dra. Silvana Quintana

Data: 1º de dezembro

Horário: 14h00

Local: UGT – Memorial da classe Operária – Rua José Bonifácio nº 59 – Centro
Promoção/organização: Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, Coordenadoria Municipal da Mulher, SEAVIDAS – HCFMRP-USP, CEDHEP, CONEN, Casa da Mulher, Vitória Régia.
Apoio: Secretaria Municipal da Assistência Social; Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto; CRP; CRESS.

 

Abrace o Positivo

Data: 1º de dezembro
Hora: 17h00

Local: SESC Sorocaba

Grátis

Cia da Joaquina de Improviso. Baseado no movimento “Free Hugs” (Abraço gratos), que já foi produzido em cidades de diversos países como Peru, China, Estados Unidos, Israel, Escócia e Holanda, chegou a vez de Sorocaba abraçar essa idéia. Um ator no seu melhor papel, com uma placa com os dizeres “Abraço Grátis”, circulará pela Praça Cel. Fernando Prestes na tentativa de fazer com que as pessoas se sensibilizem e queiram dar e receber um abraço. Demorados, distantes, apertados, rápidos, com tapinhas nas costas, porém um abraço verdadeiro. O objetivo é fazer com que as pessoas se doem de alguma forma através de um abraço ou de um sorriso, esquecendo por um momento seus preconceitos. Local: Praça Cel. Fernando Prestes – Centro.

 

Verdades e Mitos Sobre o HIV/AIDS

Data: 1º de dezembro

Hora: 15h00

Local: SESC Campinas

Roda de conversa simultânea na sala da Internet Livre Campinas e com outras unidades do SESC-SP sobre HIV/AIDS e sobre o Dia mundial da Luta Contra a AIDS. Com educadores do Programa Internet Livre, com ativistas do Grupo Identidade de diversidade sexual e com a Dra. Ana Luiza Braga de Brito Lira.

 

Prevenção é com Dona Conceição

Data: 1º de dezembro

Hora: das 14h00 às 21h00

Local: SESC Araraquara

Grátis

A partir de metáforas e brincadeiras, a atriz leva ao público as principais informações sobre a AIDS. Com a Cia Dona Conceição. Vários espaços da unidade.

 

Móveis Coloniais de Acaju

Data: 1º de dezembro

Hora: 21h00

Local: SESC Ribeirão Preto

Formada por André Gonzales, BC Araújo, Beto Mejía, Eduardo Borém, Esdras Nogueira, Fabio Pedroza, Fabrício Ofuji, Gabriel Coaracy, Paulo Rogério e Xande Bursztyn, a Móveis apresenta o seu novo trabalho, “C_OMPL_TE”, com as sonoridades do rock, ska, samba e ritmos mundiais que são características da banda. Se com “Idem”, primeiro CD, a banda convidava o público a dançar, neste segundo álbum completa essa interação intimando todos a cantar junto. Galpão de Eventos. Capacidade: 400 lugares. Idade recomendada: 16 anos Ingresso: 800g de leite em pó (2 latas ou 2 pacotes). Troca do leite em pó pelo ingresso na Central de Atendimento. Os alimentos arrecadados serão doados ao GAPA (Grupo de Apoio e Prevenção à AIDS) de Ribeirão Preto.

 

Luta contra a AIDS

Data: 1º de dezembro

Hora: 19h30

Local: SESC São Carlos

Grátis

Bate-papo e orientações gerais sobre DST/AIDS, em comemoração ao Dia Mundial de Luta contra a AIDS. Atividade em parceria com o Programa Municipal de DST/AIDS – Prefeitura Municipal de São Carlos.

Local: Teatro. Lugares limitados.

 

Orientação em Saúde

Data: 1º de dezembro

Hora: das 14h00 às 21h00

Local: SESC Catanduva

Grátis

O dia 1º de dezembro é reconhecido como Dia Mundial de Luta Contra a Aids. Saiba mais sobre a prevenção das DST/AIDS na Internet Livre através de recursos multimídias. Sala de Internet Livre.

 

Pedro Prevenido

Data: 1º de dezembro

Hora: 14h00

Local: SESC Campinas

A partir de metáforas e ao som do violino o pequeno boneco Pedro Prevenido leva ao público as principais informações sobre a AIDS. Com o Grupo Prana. Espaços da Unidade.

Não recomendado para menores de 10 anos.

 

Amor não tem idade

Data: 1º de dezembro

Hora: 12h00

Local: SESC Pompéia

Grátis

Acreditamos que a melhor maneira de falar sobre as DSTs – Doenças Sexualmente Transmissíveis – é falar sobre amor e os cuidados com a pessoa amada. Com o Grupo Garapa. Apoio: Secretaria Municipal de Saúde / Programa Municipal DST/AIDS de São Paulo. Rua Central.

 

Luta Contra AIDS

Data: 05 de dezembro

Hora: 11h00

Local: SESC Piracicaba

Grátis

Informações e esclarecimentos sobre as doenças sexualmente transmissíveis e AIDS além de orientações sobre o uso correto dos métodos contraceptivos e de prevenção. Com Leda Maria Malosa Morão, assistente social do CEDIC – Centro de Doenças Infecto Contagiosas da Secretaria de Saúde de Piracicaba. No teatro.

 

Isso Não é Comigo! É Com Todos Nós!

Data: 08 de dezembro

Hora: 10h30

Local: SESC Osasco

Grátis

Bate-papo com a Dra. Mariliza Henrique da Silva, diretora do Núcleo de Pediatria do Hospital Dia e Hepatites Virais do Centro de Referência e Treinamento em DST/AIDS do Estado de São Paulo, abordando questões ligadas as DST, a AIDS e a terceira idade. Evento realizado em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo – Coordenação Estadual DST/AIDS SP e o Centro de Atenção a Terceira Idade da Prefeitura Municipal de Osasco. No Centro de Atenção a Terceira Idade, localizado na Rua da Saudade, nº 180 – Jardim Bela Vista. Os ingressos devem ser retirados no local com uma hora de antecedência. Atendimento preferencial para pessoas acima de 60 anos.

 

AIDS e a Terceira Idade

Data: 10 de dezembro

Hora: 14h30

Local: SESC Santo Amaro

Grátis

Palestra sobre as perspectivas atuais e futuras sobre AIDS em relação aos idosos, que acontecerá no Clube Escola Santo Amaro – sala 02 – Av. Padre José Maria, 555.

 
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Publicado por em novembro 27, 2009 em DIREITOS HUMANOS, SAÚDE, SEXUALIDADE

 

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Tem diferença entre brinquedo de menino e de menina?

A genética influencia, sim, na preferência da criança por um brinquedo, mas os seus valores também – e muito! Entenda por que você deve estimular qualquer tipo de brincadeira (sem fazer restrição por conta da cor e do tipo).

O que faz uma criança escolher entre um carrinho e uma boneca? Além da influência do ambiente e das pessoas com quem ela convive, a genética parece ter papel importante também. Pesquisadores da Universidade de Texas (Estados Unidos) colocaram um caminhão e uma boneca dentro de uma caixa com abertura frontal, usada para brincar com fantoches, na frente de 30 bebês com idades entre 3 e 8 meses. Os cientistas relataram uma predisposição natural para os meninos gostarem de brinquedos masculinos e meninas daqueles mais delicados.

Meninos e meninas possuem, de fato, diferenças no tempo do desenvolvimento de algumas áreas do cérebro que refletem no gosto que eles terão por brinquedos. As áreas do lado direito do cérebro, ligadas às questões visuais, são desenvolvidas mais precocemente nos garotos. Por isso, ele utiliza o brinquedo como ferramenta, para chacoalhar, montar, empilhar, organizar e usar conceitos lógicos. As meninas desenvolvem primeiro as áreas que envolvem linguagem e afetividade. Elas têm facilidade com relações pessoais e são atraídas por expressões faciais em bonecos.

Mas a genética não é o único determinante. Os seus valores e o ambiente em que o bebê cresce influenciam, sim (e muito!), nas escolhas que ele vai fazer. Pense rápido: o que você faria se seu filho quisesse brincar com bonecas e se sua filha pedisse de presente um carro com controle remoto? É comum e normal ficar aflito. Desde que você descobriu o sexo do bebê na gravidez, começou a ter expectativas. Se fosse uma menina, o quarto seria com tons em lilás ou rosa. Se fosse menino, ele ganharia roupas de um time de futebol e carrinhos. A indústria de brinquedos conhece esse universo e se apropria disso. As lojas estão lotadas de brinquedos em rosa-choque e azul-marinho. Por todos esses motivos, quando seu filho pede para brincar com uma boneca, ou vice-versa, você sente como se alguma coisa estivesse errada, mas não está, não. “A gente esquece que os meninos também têm bonecos de super-herói, soldados. Então, quando o menino pega uma boneca, frustra a expectativa dos pais”, diz Maria Luiza Macedo de Araújo, psicóloga e terapeuta sexual do Centro Brasileiro de Estudos da Sexualidade.

Quanto mais seu filho brincar com vários tipos de brinquedos, mais habilidades ele vai desenvolver.
No que você acredita?

Pensar nas mudanças pelas quais a nossa sociedade passou mostra que essa inclusão nas brincadeiras apenas acompanhou os avanços pelos quais nós todos passamos. Se há 30 anos o número de mulheres que trabalhavam era menor, agora é crescente a presença delas no mercado de trabalho. Esse aumento fez com que a distribuição de papéis dentro de casa se modificasse. Em algumas famílias, o papel de cuidador da mulher está invertido, há cada vez mais casos em que a mãe trabalha e o pai fica com os filhos. Essas mudanças chegaram às brincadeiras também. Quando a criança troca de papel, treina como lidar com relações diferentes e emoções, tanto dela mesma como das outras pessoas. É um treino de tolerância e de lidar com a diversidade. Para Mauro Muszkat, neuropsicólogo infantil da Unifesp (SP), essa “pode ser uma vantagem adaptativa”. “Estamos em uma sociedade diferente e precisamos pensar em brincar de uma forma múltipla porque os novos tempos preparam desafios com papéis diferentes nas funções sociais”, afirma.

Essa troca não influencia a sexualidade. A psicóloga Maria Luiza explica que meninos não vão assumir o papel das meninas e vice-versa. Eles vão dividir. Ela conta que durante uma viagem percebeu que um grupo de crianças, formado por meninos e meninas com aproximadamente 8 anos, brincava com soldados e barbies. Em um momento, trocaram entre si os bonecos. Os meninos continuaram brincando de luta com as barbies e as meninas continuaram brincando de historinhas. “Para eles é só um brinquedo que pode ser mais legal do que os que eles têm. Se você tem dois ou três filhos, fatalmente eles vão fazer a troca mais cedo do que a criança que é filha única. Para ela, essa experiência vai acontecer na escola. Isso é saudável e os pais devem estar preparados”, afirma.

Quando você estimula seu filho a brincar com vários tipos de brinquedos, dá a ele a chance de desenvolver habilidades que vão ser importantes para o futuro dele, incluindo até a escolha da carreira. Se uma menina se diverte com blocos, ela tem mais chance de conseguir um desempenho melhor se pensar em ser engenheira; se tiver carrinhos, vai desenvolver mais a motricidade e o pensamento espacial e pode ser uma melhor motorista, por exemplo. O menino que brinca com bonecas pode ter mais facilidade para se relacionar com outras pessoas e entender melhor as mulheres – e essa não é a maior queixa feminina?

 

Fonte: http://www.cmcsp.com.br/noticias.php?op=view&id=191

 
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Publicado por em novembro 24, 2009 em RELACIONAMENTO, SEXUALIDADE

 

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