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A tecnologia e o relacionamento entre pais e filhos

29 set

Cartas ao Tom é uma coluna publicada na Revista Pais & Filhos e escrita pela Andrea Siqueira. Sempre leio, pois acho muito legal o que ela escreve e na edição de agosto/11 ela escreveu sobre a tecnologia moderna e as relações entre pais e filhos. Curti e me identifiquei muito com o texto, e resolvi compartilhar aqui no blog.

Querido filho Tom,

Pede, por favor, para a vovó ligar o Skype que a mamãe quer falar com você.

Não sei se na sua vez de ser pai, filho, o teletransporte já será realidade, mas o fato é que, hoje, usar o Skype quando a gente viaja para ligar para você toda hora (sempre com um Wi-Fi) é uma delícia.

Compartilhar fotos e acontecimentos em tempo real, então, nem se fala: “Olha como o Tom está vestido para a festa de São João”, “olha o que mamãe e papai estão fazendo agora”. A saudade não diminui. mas a culpa de estar fazendo uma viagem sem criança, sim. E isso já libera um peso extra em qualquer bagagem.

É tão curioso ver sua relação com a tecnologia, filho.

Computador lá em casa é sinônimo de muita coisa: joguinhos, fotos, filmes, desenhos antigos no Youtube. Você já se acostumou, por exemplo, a usar o Skype para, de vez em quando, desenhar com o primo que mora na Nova Zelândia ou almoçar com a vovó em Salvador.

Mas o computador, ao mesmo tempo que aproxima, também atrapalha, e mamãe pede desculpas por tantas vezes que já teve, e que certamente ainda vai ter, que trabalhar no fim de semana.

Um dia desses você falou: “mamãe, quando eu crescer, não quero ter computador.” Perguntei: por que, filho? “Porque eu não quero trabalhar, eu quero é cantar!”

Opa, aí você esbarrou no meu passatempo preferido: imaginar o que você vai ser quando crescer.

São tantas as possibilidades, filho.

Nesse caso, por melhor que seja a tecnologia, eu e seu pai damos preferência aos estímulos mais analógicos do que os digitais. As embalagens de suco, aveia e leite, por exemplo, são disputadas exaustivamente lá em casa. De um lado, eu, sempre tentando organizar o lixo reciclado, do outro, você e suas esculturas de sucatas.

Agendas de brinde viram grandes cadernos de desenhos e até mesmo o álbum do Club Penguin pode ser feito com papéis grampeados, recortes e cola. Música está sempre presente (talvez por isso o seu desejo de cantar?)  E é muito bacana ver a evolução da sua compreensão de mundo.

De uns tempos para cá, você passou a prestar atenção às letras das músicas do seu playlist de dormir. Quando você era bebê, ouvia os clássicos dos Rolling Stones, Beatles, PinkFloyd e outros, na versão pianinho, sem letra. Hoje,quem te embala é o João Gilberto. E é o João original mesmo, com o seu violão, suas letras, suas temáticas. Um dia, diante de tamanha informação bem na hora que deveria ser um soninho tranquilo, você me pergunta: “Mamãe, por que é que esse João Gilberto diz que cantando ele manda a tristeza embora? Ele precisa ficar triste para cantar? Eu não.” Eu também não, filho, eu também canto quando estou feliz.

Um beijo,

Mamãe

por ANDREA SIQUEIRA, mãe de Tom
FALE COM ELA: ANDREA.COLUNISTA@REVISTAPAISEFILHOS.COM.BR
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Publicado por em setembro 29, 2011 em RELACIONAMENTO, TECNOLOGIA

 

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