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A TEORIA DO AMOR, SUAS VARIAVEIS E SUAS VARIAÇÕES

02 maio
O interessante sobre esta série de textos, é que eu não a escrevi seguindo uma ordem lógica. Partes dos textos estavam escritas, embora sem desfecho algum, enquanto outras não passavam de idéias na minha cabeça. Mas o que definia os rumos da história era a realidade. A primeira parte do texto fala sobre acontecimentos na vida de uma pessoa, numa fase de confusão e decepção. Agora meu Humberto na vida real estava aos poucos deixando a confusão de lado e se aproximando de uma pessoa especial, sua Jéssica. Todos os sentimentos e emoções relatados no texto, assim como os contatos e até mesmo o encontro, aconteceram de verdade, e serviram como base para os rumos desta história.
Leia os Capítulos Anteriores: Parte 1
A TEORIA DO AMOR, SUAS VARIÁVEIS E SUAS VARIAÇÕES
Um texto de Y. Camargo

Parte 2: Atração

De acordo com os dicionários da língua portuguesa, dentre os vários significados para atração está: química: a que existe entre corpos de natureza diversa, os quais tendem a combinar-se formando compostos.

É uma ótima definição, já que a atração física é na verdade química, ou como dizem, é coisa de pele. É sobre isso que duas amigas conversam enquanto passeiam pelo shopping.

_ Nat, eu pensei que ele estava interessado. Pegou meu telefone, e eu até esperava que ele ligasse, mas até agora nada. Acho que nem vai ligar.

_ Calma Jéssica. Você só o viu uma vez, a dois dias apenas. Sem contar que você nem sabe o nome dele.

_ Mas ele sabe o meu nome e meu número. Se não era pra ligar, por que pediu então? Talvez eu devesse ter pegado o telefone dele, mas será que eu teria coragem de ligar?

_ Pois é, ele pode estar enfrentando o mesmo dilema.

No fim da noite Jéssica está voltando da faculdade, quando seu telefone toca. Ela não reconhece o número, mas sente uma pontada de esperança. Por algum motivo que ela não é capaz de explicar aquele rapaz do ponto de ônibus realmente despertou algo nela, um interesse repentino que a atraiu de tal forma que os poucos minutos em que se viram a marcou profundamente. Ela queria vê-lo novamente, queria conhecê-lo, saber mais sobre ele e naquele momento ela queria que fosse ele ligando.

Não muito longe dali Humberto espera ansioso enquanto o telefone chama. Se passaram dois dias até ele vencer seu medo de telefone e ligar. Ele é muito tímido, principalmente com quem não conhece. Ligar pra alguém que ele não conhece é muito difícil, principalmente quando não se trata de uma ligação qualquer, para uma pessoa qualquer. Era uma situação diferente, ele queria, precisava falar com aquela garota que não saia de seus pensamentos. Assim como ela, ele ansiava por vê-la, por conhecê-la. Ele finalmente tomou coragem para ligar, mas ainda não fazia idéia do que falaria quando, ou se, ela atendesse.

A atração é uma das três principais emoções apontadas nos estudos científicos que tentam localizar o amor no cérebro. Diz respeito aos aspectos físicos e não-verbais. Não há como forçar, simplesmente acontece. Não se trata apenas de atração sexual, embora isso também seja muito importante num relacionamento. É um ciclo que começa no cérebro e se espalha pelo corpo. No momento em que Humberto e Jéssica se olharam, este ciclo foi iniciado no cérebro deles. É a atração que está fazendo com que eles desejem se conhecer, estar mais perto um do outro, mesmo que no momento, apenas por telefone.

_ Alô!

Jéssica? – Humberto estava perdido em seus pensamentos, sem saber o que dizer. Ele nunca foi bom em se expressar. Conseguia até escrever bem, mas falar era muito difícil, ainda mais nesta fase de primeiros contatos. Mas ele precisava vencer toda vergonha e timidez. _ Aqui é o Humberto. Do ponto de ônibus, sábado. Lembra? Ele riu enquanto pensava no quanto isso parecia ridículo. Claro que ela não se lembra, não sei nem se passou o telefone certo.

– Oi. Lembro sim. – Jéssica responde, com um sorriso nos lábios e borboletas no estômago.

Seus corações batiam mais rápido enquanto a temperatura do corpo ia as alturas. Conversaram, riram, se conheceram um pouco mais, ainda de forma tímida. Trocaram endereços de e-mail, mensageiro instantâneo, redes sociais, etc. Por fim, desligaram. Mas ainda se falaram muitas outras vezes durante a semana, várias vezes por dia, principalmente por e-mail. Ela mandava lindos e-mails para ele, que não ficava atrás e retornando outros tão lindos quantos. A felicidade transbordava em cada nova mensagem, a ansiedade às vezes chegava a doer, esperando a próxima resposta enquanto sentiam uma euforia quase que permanente. Eles estavam nas nuvens. Combinaram tudo para sábado, quando marcaram de se encontrar num barzinho no centro da cidade.

Finalmente chegou o dia tão esperado. Naquela noite Humberto e Jéssica sairiam pela primeira vez. Já não se agüentavam de tanta ansiedade. Naquele dia as flores tinham uma cor especial, os pássaros cantavam mais, o sol brilhava de forma mais intensa. Sem dúvida naquela noite as estrelas sorririam.

<Fim da Parte 2>

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4 Comentários

Publicado por em maio 2, 2011 em CRÔNICAS E CONTOS, RELACIONAMENTO

 

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4 Respostas para “A TEORIA DO AMOR, SUAS VARIAVEIS E SUAS VARIAÇÕES

  1. simone

    abril 1, 2008 at 5:25 pm

    O amor é uma carta, mais ou menos longa, escrita em papel velino, corte dourado, muito cheiroso e catita;carta de parabéns quando se le, carta de pêsames quando se acabou de ler.
    Tu, que chegaste ao fim, pôe epistola no fundo da gaveta, e não te lembres de ir ver se ela tem um post -scriptum…

    ” Machado de Assis”

     

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