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Aids é a principal causa mundial de morte de mulheres em idade fértil

01 dez

Em um relatório inédito sobre a saúde de mulheres e meninas no mundo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que doenças relacionadas à aids são a principal causa de morte e agravos entre mulheres em idade fértil em países de baixa e média renda, especialmente na África. Também globalmente, as relações sexuais desprotegidas são o principal fator de risco relacionado à a morte de mulheres em idade fértil. Esses dados sustentam o argumento do relatório Women and Health: Today’s Evidence, Tomorrow’s Agenda (Mulheres e Saúde: a evidência de hoje, a agenda de amanhã) de que a saúde feminina vem sendo negligenciada em uma multiplicidade de áreas, devendo agora ser considerada uma prioridade urgente.

O relatório afirma que as mulheres e meninas são especialmente vulneráveis à infecção pelo HIV devido a uma variedade de fatores biológicos e sociais. Estes incluem o baixo status socioeconômico, o que pode limitar as escolhas e levar a comportamentos de alto risco, bem como normas e leis que subjugam as mulheres e as impedem de buscar e obter as informações de que precisam para garantir sua segurança. Por exemplo, no mundo todo apenas 38% das mulheres jovens sabem descrever os principais meios de evitar a infecção pelo HIV; além disso, há menor probabilidade entre mulheres jovens do que entre homens jovens de saber que o preservativo pode proteger contra o vírus. Os dados de 16 países da África Subsaariana, para o período de 2001 a 2007, também mostram que a prevalência do HIV, geralmente, é maior entre meninas adolescentes na faixa de 15 a 19 anos do que entre meninos na mesma faixa etária. Uma causa significativa desse fenômeno é o fato de meninas terem como parceiros homens mais velhos e mais experimentados sexualmente, com maior probabilidade de estar infectados.

Violência contra mulheres

A violência também é uma das principais causas da maior vulnerabilidade feminina em relação ao HIV, podendo dificultar ou impossibilitar que as mulheres tenham controle sobre a própria vida sexual, abstenham-se das relações sexuais ou convençam seus parceiros a usar preservativos. A violência, ou a ameaça de violência, também pode fazer com que as mulheres evitem procurar serviços de prevenção, tratamento, atenção e apoio em HIV.

Para o UNAIDS, esta é uma das principais áreas de preocupação. Nesse sentido, o fim da violência contra mulheres e meninas foi incluído como uma das nove áreas prioritárias de sua Matriz de Resultados 2009-11. Segundo Michel Sidibé, Diretor Executivo do UNAIDS, “‘sabemos que há uma forte ligação entre violência contra as mulheres e o HIV. Precisamos ajudar os jovens a desenvolver as habilidades necessárias para obter o consentimento mútuo nas relações sexuais e no casamento. Isso é essencial para prevenir o HIV e para alcançar maior igualdade de gênero em todos os aspectos da vida”.

Desigualdades de gênero

O relatório Mulheres e Saúde tem um escopo extremamente amplo e aborda diversas questões relativas à saúde da mulher. Nele se demonstra que os fatores que aumentam a vulnerabilidade das mulheres à aids também afetam profundamente a saúde em geral e o bem-estar das mulheres e meninas. Conforme se argumenta no relatório, as desigualdades na distribuição de recursos como educação, renda, atenção à saúde e nutrição, bem como na expressão política, têm uma associação muito forte com condições precárias de saúde e bem-estar.

“Apesar dos avanços consideráveis nas duas últimas décadas, as sociedades ainda negligenciam as mulheres em momentos críticos de suas vidas”, diz a Dra. Margaret Chan, Diretora Geral da OMS, no prefácio do relatório Mulheres e Saúde. “Essa negligência é mais aguda em países pobres, e entre as mulheres mais pobres de todos os países. Nem todas as mulheres foram beneficiadas de maneira igual pelos avanços recentes, e um grande número de meninas e mulheres ainda não consegue alcançar seu real potencial devido a persistentes desigualdades de saúde, sociais e de gênero, bem como a deficiências nos sistemas de saúde”.

Principais fases da vida relevantes para a saúde: o início da infância, a adolescência, a idade adulta e a terceira idade.

O relatório examina a vida de mulheres e meninas nas principais fases relevantes para a saúde: o início da infância, a adolescência, a idade adulta e a terceira idade, e mostra que as mulheres enfrentam “iniquidades difundidas e persistentes” em cada uma dessas fases. O relatório não somente destaca as necessidades de saúde das mulheres – e como estas não estão sendo atendidas atualmente em termos do HIV e de outras áreas – mas também a valiosa contribuição que elas oferecem ao setor de saúde e à sociedade em geral.

Com base nas evidências de hoje, e compartilhando o que se sabe atualmente sobre a saúde das mulheres de todas as regiões e em todas as etapas de suas vidas, o relatório procura estabelecer uma agenda para o amanhã. Um dos elementos principais dessa agenda é a promoção de reformas para permitir que as mulheres não sejam vistas apenas em termos de sua capacidade sexual e reprodutiva, e sim que se tornem agentes ativas na área da saúde, desempenhando um papel central no desenho, na gestão e na prestação de serviços de saúde.

O relatório Mulheres e Saúde chama a atenção para quatro áreas em que ações sustentadas por políticas poderiam fazer uma diferença real para a saúde das mulheres: construir uma liderança forte e uma resposta institucional coerente, com base em uma agenda clara; garantir que os sistemas de saúde funcionem para as mulheres; promover mudanças em políticas públicas de modo a incentivar mudanças sociais fundamentais (por exemplo, por meio de ações direcionadas para ajudar as meninas a se matricularem nas escolas); e, por último, construir uma base de conhecimentos e monitorar o progresso obtido.

A OMS espera que a revisão dos dados disponíveis e a definição de um irrefutável caminho a seguir permitam a melhoria tanto da saúde das mulheres e meninas quanto da sociedade como um todo. Nas palavras do relatório, “melhorar a saúde das mulheres é melhorar o mundo.”

Fonte: http://www.todoscontraopreconceito.com.br

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