RSS

FUNESTO

11 jan
Por Y. Camargo
Pablo sempre tentava entender, em sua mente de criança, o que é ser durão

Pablo sempre tentava entender, em sua mente de criança, o que é ser durão

Desde muito novo Pablo aprendeu que não poderia confiar em seus pais para defendê-lo dos perigos e injustiças do mundo. Seu pai, delegado de policia sempre dizia para ele ser durão e Pablo sempre tentava entender, em sua mente de criança, o que é ser durão. Como criança ele queria apenas saber de brincar, de aproveitar a infância, de ser criança, não ser durão.

Certa vez, quando ainda estava no 1º ano da escola, Pablo encontrou uma colega de classe na rua. Ficaram conversando inocentemente seus assuntos de criança, até que um outro colega surge e questiona porque estavam conversando. _Ela é minha namorada dizia ele, você está querendo roubar ela de mim, é? – Pablo, com medo, tentava argumentar, mas seu colega, sem qualquer aviso prévio socou seu nariz que começou a sangrar no mesmo instante. Ele corre pra casa chorando e ao encontrar seus pais assistindo TV na sala conta desesperado o que tinha acontecido. Seu pai ouve com impaciência e decepção, enquanto sua mãe fica desesperada e preocupada. Ao terminar de falar, seu pai lhe olha da maneira mais fria possível e diz: _Que merda de homem é você? Está na hora de começar a aprender a se defender. Aprende a ser homem seu rato. E vai se lavar porque está sujando todo o chão de sangue. – Sua mãe fica aterrorizada com a cena, mas com medo de colocar entre o marido e o filho não toma nenhuma atitude. Pablo sai segurando o choro e com ódio no coração. Ele sente ódio do pai por ficar contra ele no momento em que ele mais precisava de um protetor, de um ajudador, de um herói. E tem raiva da mãe, que se calou e se omitiu, deixando-o totalmente sozinho.

Agora, dois anos depois desta situação traumatizante Pablo continua ressentido com seus pais. Tem apenas 9 anos e já percebeu que não pode contar com seus pais. Mas tenta levar a vida normalmente, tenta ser feliz, ser criança enquanto pode. Assim, seguindo o rumo de sua vida, ele brinca na calçada de casa com seu carrinho novo que ganhou de sua avó. Então surgem dois garotos que moram na rua de cima e começam a incomodá-lo. Um deles pega seu carrinho e diz: _Agora é meu. – Pablo tenta pegar de volta e é derrubado no chão. Um dos garotos chuta seu estômago e os dois saem correndo rindo, levando o carrinho. Pablo apenas chora, se saber o que fazer. Sabe apenas que não pode contar para seus pais, sabe que não pode contar com eles, e isso dói mais do que o chute no estômago. Mas ele também não pode ficar sem fazer nada, como diz seu pai, ele precisa aprender a se defender, precisa ser durão. E Pablo decide fazer algo.

Fim de noite daquele mesmo dia, Pablo encontra os mesmos dois garotos jogando futebol num terreno perto de casa. Com toda a coragem e refletindo a melhor imagem de homem durão que consegue ele se aproxima deles que se desesperam, que temem pelo que fizeram. Pablo não diz nada, apenas para diante deles, que estão encostados num muro, olha dentro dos olhos de um, dentro dos olhos do outro, vê o terror, o medo, o desespero e se sente bem com isso. Sem reação os garotos tentam argumentar enquanto perguntam o que ele vai fazer. E Pablo, com a arma de seu pai na mão, responde enquanto aperta o gatilho: _Vou mostrar para o meu pai o que eu posso me defender, o quanto eu posso ser durão.

Anúncios
 
4 Comentários

Publicado por em janeiro 11, 2009 em RELACIONAMENTO

 

4 Respostas para “FUNESTO

  1. Leganguera

    janeiro 11, 2009 at 5:46 pm

    No decorrer da história pensei que o desfecho seria outro,
    mas é depois desta que o pai deve ter oensebido o quanto
    carinho e proteção podem ajudar ou estragar a vida de seus filhos.

     
  2. Fabio Gouvêa

    janeiro 12, 2009 at 3:27 pm

    Chega a ser cruel, pesado mais é real.

    e não sabemos qual é a frequência que casos desse acontecem, mas nao sao poucos.

    Devemos tomar cuidado e medir as palavras… elas tem um poder enorme

     
  3. erich

    janeiro 13, 2009 at 9:49 am

    As atitudes do presente definem nosso futuro … um pai ausente, omisso e “machão” pode deixar várias cicatrizes na vida de um filho.

     
  4. superbubble

    janeiro 13, 2009 at 10:54 am

    As atitudes do presente definem nosso futuro … um pai ausente, omisso e “machão” pode deixar várias cicatrizes na vida de um filho. [2]
    http://umblogdalyz.wordpress.com/

     

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: