06.08.09 – Brasília
Falar de tarefas compartilhadas é falar de amor. Se eu, como esposo, pai e homem trabalhador, não tivesse parado para pensar e refletir sobra a importância de compartilhar com a minha esposa as tarefas da nossa família, com certeza hoje, com três filhos pequenos (7, 4 e 2 anos), não estaríamos juntos no nosso oitavo ano de união matrimonial.
É tentador chegar a casa após um dia inteiro de trabalho, com atendimento a dezenas de clientes que desgastam nosso corpo e mente, e jogar-me no sofá, ligar a televisão e ficar ali, esperando “no mínimo” por reconhecimento de uma dura labuta, aquela voz vindo da cozinha dizendo: o jantar está na mesa. É claro que eu preferia até que a dona dessa voz trouxesse no sofá o meu prato para eu não sair da frente da televisão! Mas isso jamais refletiria a minha decisão de amar a minha esposa e demonstrar esse amor não apenas com palavras, mas com atitudes participativas e colaborativas dentro da nossa casa.
Essa decisão leva à escolha de não me jogar no sofá, e também de olhar para seu rosto e ver que cuidar de três filhos pequenos, sem empregada ou babá, fazendo comida para alimentar a tropa, ensinando os deveres da escola, lavar e passar dezenas de quilos de roupa, limpar e arrumar a casa, enquanto eu estou trabalhando fora de casa, é tão ou até mais desgastante que o meu trabalho. Quando eu ponho a roupa na máquina de lavar, estendo a roupa no varal, vou para o fogão nos finais de semana ou quando ela, muito cansada, não conseguiu preparar o jantar, brinco com as crianças para ela poder descansar, ler uma revista, assistir a um programa de TV, estudar, quando conto estórias para as crianças irem dormir e muitas outras coisas, faço porque deixei de lado a visão tradicional de que à mulher cabe o cuidado da casa e a educação dos filhos e ao homem o sustento, e de que o meu trabalho é mais importante do que os afazeres domésticos. Na minha casa, não existe “dona do lar”, mas sim dois adultos conscientes das necessidades e responsabilidades que o sustento e a manutenção de um lar familiar exigem. Por isso, quando eu escolhi amar, também escolhi compartilhar.
Quando comento com as mulheres com as quais tenho contato no meu trabalho sobre a minha escolha de compartilhar as tarefas da casa com minha esposa, uma resposta é quase unânime: eu queria um marido assim. Vejo nessa resposta a expressão de um desejo de que seus maridos e companheiros também compartilhem dessa maneira de pensar e agir, pois a maioria delas relata que após a jornada no trabalho, iniciam uma nova jornada de trabalho em casa. Isso as deixa sobrecarregadas, impedindo muitas vezes de realizar sonhos como concluir a faculdade, a pós-graduação, ou um simples desejo de sair para passear. Nessa hora, não podemos ser egoístas ou machões. Os sonhos e desejos delas, numa vida compartilhada, também são os nossos e devemos lutar para realizá-los da mesma maneira com que elas lutam diariamente para que possamos realizar os nossos.
Amar é compartilhar. Sei que essa minha escolha irá influenciar a qualidade do meu relacionamento emocional e íntimo com minha esposa, que influenciará a visão que meus filhos terão quando eles constituírem suas famílias e espero que influencie a nossa sociedade para que tenhamos famílias mais saudáveis e felizes.
Vinícius Martins do Couto é técnico bancário da Agência Niterói, no Rio de Janeiro e participante da Comissão Regional Pró-Equidade de Gênero do RJ.




