Um texto de Y. Camargo
Prólogo
_ Não sei mais o que fazer. A gente se dá tão bem. E parecemos tanto um com o outro. Ela me entende. Me compreende. É alguém com que valeria a pena passar o resto da vida.
Parte 4: Afinidade
Alguns dias antes
_ Humberto! Estou te esperando faz quase uma hora. Onde você está? Você não liga pra mim mesmo né!
Humberto estava quase 30 minutos atrasado para um encontro com a Jéssica. E ela estava pegando no pé ultimamente. Ele, tolerando tudo pacientemente. Bom, nem sempre tão paciente. A atração já estava diminuindo. A paixão cozinhando em fogo brando. O que acontece com um casal quando a atração e a paixão passam?
Quando isso acontece, as diferenças vêm a tona, e os sentimentos são colocados a prova. Pode acontecer de um dos parceiros rejeitar o outro. Ou pode haver rejeição mútua. Mas o ideal é quando descobrem afinidade entre eles. E mesmo com toda diferença, passa a valer a pena lutar pela construção de um relacionamento que dure. Mas isso não é fácil. É como se escamas caíssem dos olhos, e um finalmente enxerga os defeitos do outro. Percebe que aquela pessoa perfeita, não é tão perfeita, e que seus pequenos defeitos, na verdade são grandes defeitos.
Jéssica estava vivendo isso na pele. Ao mesmo tempo que ela percebia que amava Humberto, e que queria ficar para sempre ao lado dele, ela também percebia suas falhas e defeitos, e acabava discutindo com ele, pois na cabeça dela, ele deveria mudar por amá-la. Mas Humberto também passava pela mesma fase. Enquanto estava na fase da paixão, ele estava cego, mas agora ele esta caindo na realidade, e a Jéssica perfeita que conheceu às vezes já não se parecia com a que via hoje.
Mas esta fase é necessária. As pessoas são diferentes uma das outras, e algumas arestas sempre aparecem para serem aparadas.
“Chega de imaginar príncipes encantados
todos nós temos defeitos, e o casal perfeito
foi criado com base nas imperfeições
para fazer crianças dormir,
para esquecer da realidade que vivemos”
(Projeto Realejo)
Mas Humberto acredita neste relacionamento, e não quer deixar tudo acabar por motivos tão bestas. Por isso ele tem tentado resgatar o romantismo dos primeiros meses. Semana passada ele deu a ela um colar. Ela amou, mas também ficou desconfiada. “Porque será que ele está me presenteando assim do nada? Será que ele quer esconder alguma coisa? Quer distrair minha atenção?” E mal sabia ela que desta vez o motivo do atraso dele é que ele está numa loja na Avenida Autonomistica, comprando uma cesta com vinho, flores e chocolates. Ele vai enviar a cesta para o trabalho dela, amanhã, quando os dois completam 11 meses de namoro.
Mas mesmo o romantismo é colocado a prova quando estão na fase de transição entre paixão e afinidade. Quando se começa a ver o outro à luz do dia, alguns detalhes que pareciam encantadores podem passar a ser irritantes.
_ HUMBERTO! Você não cuida da sua casa. O que são estas roupas espalhadas pelo chão? E esta geladeira vazia. Estou com fome, e chego aqui e não tem nada pra comer. Você não está nem ai pra mim mesmo! – Mas antigamente ela até achava graça em abrir a geladeira e não encontrar nada. O máximo que dizia era “estou com fome. Vamos sair para comprar alguma coisa?” ou “que tal darmos um pulinho no supermercado?”.
E o Humberto, que sempre ouviu tudo o que ela dizia pacientemente, e até adorava, agora se imagina apertando o pescoço dela, enquanto pensa: “Será que eu posso agüentar isso pra sempre? Será que temos alguma coisa em comum?”
“A rosa é a flor do amor. Depois de
três dias, as pétalas caem e você fica com
uma coisa feia e pontuda nas mãos.”
(Allan e Barbara Pease)
Mas encontrar a “cara-metade” significa ver o que os dois têm em comum a longo prazo e fazer isso antes de a cegueira natural causada pelos hormônios operar. Será que quando a paixão acabar – e isso é fato, uma hora acaba, é renovável, mas acaba – será possível um relacionamento baseado em companheirismo e interesse comuns?
Amizade! Este é um ponto importante. Um relacionamento tem que ter amizade, para que haja mais do que atração sexual e paixão. Para que haja prazer de conviver e em quem confiar.
_ HUMBERTO! O que está acontecendo? Você não liga mais pra mim. Me diz, qual é o problema? Você não gosta mais de mim? É isso? Pode falar.
_ Jéssica, meu amor. Não é esse o caso!
_ Ah! Caso… é isso. Você está tendo um caso com alguém não é?
_ Hã?! Claro que não. Nunca! Você não está bem. Acho melhor a gente conversar quando você estiver mais calma.
_ Então é assim. Você acha que basta fugir pra resolver tudo. Porque não assume o que você quer afinal.
_ Como assim? O que você está dizendo? Não estou fugindo de nada. Porque você não diz o que quer então? Se está tão incomodada. Você quer terminar? É isso?
_ Isso é típico de vocês homens, covardes. Tentam esconder as coisas até o último momento, e quando não agüentam mais, fogem. Acham que é mais fácil se acovardar e terminar. Tudo bem, então suma da minha frente. Está tudo acabado!
<FIM…?>




A começar pelo o prologo:Então faça valer a pena!!!!!
Se “Humberto” acreditava no relacionamento,ele deve fazer oq for possivel para ter o q lhe faz bem perto,e nao longe.Crises e má fases acontecem,basta saber como lidar com essas fases,pesar o que viveram, avaliar o que tinham juntos.Acho que ele não soube como mostar a “Jéssica” que ela não precisava se sentir insegura,e “Jéssica” tb não soube como se expressar…uma pena o comportamento dos dois, pois os levou a um final(?) que talvez não tenha sido o mais correto, acredito que dessa vez,esta não teria sido a melhor forma de resolver,mesmo que alguém possa achar que isso fosse necessário.Nunca entendi o fato de duas pessoas que se gostem, ficarem separadas, sempre desejei que tudo fosse esclarecido o quanto antes para que pudessem aproveitar o tempo que D´us nos permite ter com quem nos faz bem, com aquela pessoa que queremos fazer até o impossivel só pelo fato de gostarmos dela.
Espero que, se for para o bem dos dois,Humberto e Jéssica se entendam e possam enfim descobrir( e que isso não ocorra tarde demais) o que é bom para cada um, estando juntos… Ou não!!!
P.S.: Espero que “Humberto” possa fazer o bem que “Jéssica” fazia a ele!